20 de novembro - Nossos corpos negros constroem a democracia no Brasil

A democracia brasileira ainda está longe de ser plena. Sua construção continuada, apesar das muitas reações conservadoras, tem sido um longo processo, que segue no passo da luta histórica do povo negro por seus direitos. Desde sua construção nos campos, que  tem como símbolo e materialização maior o Quilombo dos Palmares, à construção de uma cidade viva e intensa a partir das periferias urbanas, nossos corpos negros, sempre no combate pela liberdade plena, são o motor que constrói as bases orgânicas da democracia brasileira. Pois bem sabemos que apenas numa sociedade radicalmente democrática há a garantia da dignidade humana para todos. Experiências como a da escravidão, a ditadura militar e o governo Bolsonaro, com seus múltiplos cúmplices, não nos deixam esquecer isso.

 

Afinal, bem sabemos que somos os que mais sentem os impactos dos retrocessos de nossa república, tanto  no passado como agora. Segundo pesquisa amostral do IBGE, em 2020, entre os 10% mais pobres, 21,9% eram brancos e 77,0% negros. Já no décimo mais rico, a proporção se inverte: 70,6% brancos e 27,2% negros. A mesma pesquisa demonstra que com o aprofundamento da pandemia da Covid 19, acompanhada da crise socioeconômica, a população negra vem perdendo rapidamente o acesso às políticas sociais conquistadas ao longo dos governos que precederam o golpe constitucional.

 

Por essa consciência é que seguimos, povo negro organizado, na luta reiterada pela superação das estruturas racistas, sexistas e patrimonialistas construídas pelas forças conservadoras/reacionárias para bloquear qualquer possibilidade de acesso à igualdade de direitos. A essas forças não hesitaremos em caminhar enfrentando, pois bem sabemos que apenas através de sua derrota poderemos avistar a sociedade integralmente democrática que nosso Brasil tanto necessita.

 

Por isso, em nossa data maior, 20 de novembro, afirmamos a centralidade do povo negro brasileiro como potência e na materialização de um Estado Democrático de Direito para todas e todos. E conclamamos o povo negro para que erga nossa ancestralidade na construção de um futuro pleno de vida no presente.

 

 - Viva Zumbi e todo povo negro! 

 

Seja Democracia!

a mística quilombola persiste afirmando: 

"a liberdade é uma luta constante".

Poema: Tempo de nos aquilombar

Autora: Conceição Evaristo